Na minha atuação com governança em PMEs, uma pergunta aparece com frequência:
“Vale a pena estruturar um Conselho Consultivo antes de um Conselho de Administração?”
A resposta, à luz da prática e da evidência recente, é: sim — mas com intencionalidade.
Compartilho alguns aprendizados que ajudam a qualificar essa decisão.
- Independência não substitui conhecimento
Estudos mostram que empresas que aumentaram a independência formal dos conselhos — substituindo membros com histórico na organização — perderam desempenho.
Por quê?
Porque eliminaram algo crítico:
✔ conhecimento específico do negócio
✔ leitura contextual
✔ capacidade de aconselhamento estratégico
Ou seja, governança eficaz não é só “controle”.
É equilíbrio entre monitoramento e geração de valor.
2. Conselhos Consultivos bem estruturados aceleram maturidade
Em empresas em crescimento, o Conselho Consultivo pode ser decisivo para:
✔ ampliar visão estratégica;
✔ apoiar decisões complexas;
✔ conectar a empresa a redes relevantes;
✔ preparar a transição para governança formal.
Mas há um ponto-chave que observo na prática: muitos Conselhos Consultivos falham porque não têm clareza de papel, agenda e expectativas.
3. O valor do conselho depende do tipo de contribuição — e não do título
A literatura diferencia dois tipos de aconselhamento:
- Funcional (técnico, especializado)
- Empresarial (estratégico, visão de negócio)
E o que realmente faz diferença?
o alinhamento entre:
- o momento da empresa
- os desafios estratégicos
- e o perfil dos conselheiros
Na prática, o que isso significa para PMEs?
- Não existe modelo padrão de governança;
- Conselhos Consultivos não devem ser “figurativos”;
- A composição precisa refletir:
✔ momento do negócio
✔ estratégia
✔ lacunas de competência - E, principalmente: governança deve ajudar a decidir melhor, não apenas “organizar a casa”
Uma reflexão importante:
Tenho visto empresas estruturando conselhos com foco excessivo em formalidade — e pouco foco em efetividade.
Governança não é sobre “ter um conselho”. É sobre usar o conselho como instrumento de criação de valor.
Se você está estruturando ou revisando um Conselho Consultivo, vale se perguntar:
- Ele está realmente contribuindo para decisões estratégicas — ou apenas acompanhando a operação?
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